Na longa e louca história da evolução, nós, humanos, nos gabamos do nosso cérebro gigante. Mas, segundo a especialista Christine Webb (ex-professora de Harvard e autora de “O Macaco Arrogante: O Mito do Excepcionalismo Humano e Por Que Ele Importa”), essa “cabeça grande” demorou a notar nossa característica menos charmosa: o egocentrismo
A presunção humana de que somos os reis do pedaço – e, portanto, temos o direito de usar o planeta como se fosse um pote de Nutella pessoal – está profundamente enraizada em tudo: desde os sermões de domingo até a ciência do dia a dia. E, adivinhe só: agora estamos colhendo a tempestade, diz Webb.
A Grande Tese
Webb não hesita: em uma palestra recente no Science Center de Harvard, ela cravou: “O Excepcionalismo Humano está na raiz da crise ecológica.” Essa mentalidade nos faz sentir que temos “domínio” total, separando-nos da natureza e nos dando a licença para mercantilizar (ou seja, transformar em produto) tudo o que se move e o que não se move, para nosso uso exclusivo.
O cerne do seu livro é claro: o antropocentrismo – ou o que Webb chama de “complexo de superioridade humano” – empurrou o planeta para crises ambientais catastróficas, como extinções em massa, aumento do nível do mar e incêndios.
A Tragédia do Hubris
Para Webb, o “macaco arrogante” não é só a espécie; é um protagonista trágico de um drama grego, cego pela própria hubris (aquele orgulho que dá desgraça). Ela avisa: essa visão perigosa do mundo é uma lavagem cerebral cultural de proporções épicas, e a maioria nem percebe que está hipnotizada por ela.
“Quando você mede o mundo com uma régua feita para humanos,” ironiza Webb, “outras espécies inevitavelmente parecerão inferiores.”
A Régua Humana e o Golfinho Engraçado
É claro que somos especiais (somos os únicos a lançar foguetes no espaço ou a organizar clubes do livro!), mas todas as outras espécies também são incríveis nas suas próprias adaptações. O problema é que nós olhamos para as nossas características como as únicas que importam. O excepcionalismo sugere que o que nos distingue é mais valioso e avançado que qualquer rabo, asa ou barbatana por aí.
Essa “distinção” anda de mãos dadas com a exploração. A noção de “progresso” virou sinônimo de “domínio humano sobre a natureza”. Com 8 bilhões de pessoas na Terra, nossa fome por recursos só cresce.
Essa “distinção” anda de mãos dadas com a exploração. A noção de “progresso” virou sinônimo de “domínio humano sobre a natureza”. Com 8 bilhões de pessoas na Terra, nossa fome por recursos só cresce.
A Cegueira Científica
Essa arrogância é tão onipresente que se tornou uma suposição invisível, raramente questionada. A própria ciência, muitas vezes, cai na armadilha: Webb, que estudou babuínos e gorilas, aponta que muitos estudos comparativos são feitos usando atributos humanos como a métrica de sucesso evolutivo.
Ela ilustrou o ponto com uma piada que arrancou risos da plateia, vinda do jornal satírico The Onion: “Estudo: Golfinhos não são tão inteligentes em terra.”
O Antídoto: Humildade
A boa notícia? Essa superioridade é um comportamento aprendido. Crianças e nosso senso inato de biofilia (o amor pela natureza, termo cunhado pelo biólogo E.O. Wilson) mostram que temos jeito.
A solução, argumenta ela, é abraçar a característica mais subestimada: a humildade.
Webb conclui: “Abandonar essa lente antropocêntrica pode gerar realizações muito humildes — e essa humildade pode nos dar a verdadeira sabedoria.”
Em outras palavras: para sermos verdadeiramente Homo sapiens (homem sábio), precisamos urgentemente desaprender que somos os donos do universo. Só assim poderemos começar a consertar o planeta que a nossa arrogância ajudou a quebrar.
Sou apaixonada por descobrir como a tecnologia pode facilitar a vida e, ao mesmo tempo, trazer mais equilíbrio para o nosso dia a dia. Com experiência prática e anos acompanhando de perto inovações digitais, ela acredita que informação de qualidade pode transformar a maneira como cuidamos do nosso corpo, da nossa mente e da nossa rotina.
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